sábado, 7 de julho de 2007

Pteridófitas by Night


Se fosse verde e inerte,

Talvez restasse plenitude

E o sol, por si só, bastasse


Mas não,

nem verde nem inerte.

As pernas levam pelo mundo,

e o sol, por si só, não basta.


Talvez, por simples analogia,

se fossem comparáveis os jardins,

diria que na alma dos homens só nasce discórdia.

Derrelição.


Que inveja, pteridófitas,

que sobre os olhos da indiferença

encontram a felicidade.

Nascem, crescem e morrem, satisfeitas, à luz.


Aos homens, a plenitude é negada

O riso, por si, só não basta...

O gozo, por si só, não basta...

Os sonhos, por si só, não bastam...


Pessoas discutiam na mesa do bar,

o povo fugia pra rua,

os cacos, os socos, os tiros,

tudo fora de seu lugar,

menos a samambaia

que continuava a sonhar.

10 comentários:

Néfer Kroll disse...

(sobre teu comentário)eu penso que não é errado.
eu apenas tenho inveja de quem faz isso por alguém que eu quero pra mim.

e homem... eu simplesmente adorei esse teu texto. digo, seriamente, que eu gostaria de ter escrito ele. muitas vezes quis fazer algumas analogias para me fazer melhor entender, mas ou péssima nisso.

um grande beijo.
nunca pára de escrever.

Néfer Kroll disse...

*sou

Néfer Kroll disse...

apartir de hoje eu vou te ler mais freqüentemente com certeza.

Mandi disse...

Pteridófitas costumam ser mais plenas que muitos humanos. Como eu, zum beispiel.




Há momentos que seria muito bom ser uma samambaia.

Sonia Sant'Anna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sonia Sant'Anna disse...

Sábia pteridófita (se eu soubesse que "samambaia" apareceria no final do texto teria poupado uma ida ao Aurélio). Muito sábia essa pteridófita, deixa o circo pegar fogo, e ela lá, na dela

Unknown disse...

Pois é. É nessas horas que a gente percebe que o homem perde até pra uma pteridófita em termos de racionalidade.

O mundo tá muito cinza, burro, insensível e rede Globo, Thadeu.

socorro!
beijos da Paula

O Sibarita disse...

Olá! Com certeza e quem nunca teve uma samambaia dentro de casa? Todos ou quase todos! No entanto, ninguém, quase ninguém presta muita atenção a ela, quase que não molha e ela nem aí... kkkk Acho que ela ri de todos nós tal o estado de felicidade que ela permanece, o seu texto elucidada isso! E Viva as samambaias!

Seu Kiprokó belo texto!

Meu camarada vá lá no Sibarita que está fazendo um ano hoje 07/07 tá a maior festa. kkkkk

B. disse...

Engraçado você falar da grandeza da alma das pteridófitas e, no fim do poema, elas aparecem sonhadoras. Pois então não há quietação nas samambaias. Elas também se inquietam, afinal? Mais uma vez, você me surpreende. Pro bem, pro sonho, pro milagre que se dá toda vez que um bom poema nasce. Me lembra um pouco de Drummond, mas sabe por que só um pouco? Porque o resto é seu. Tem sua assinatura, seu ritmo. Lindo. Mais uma vez. (Se passar a cobrar direitos autorais sobre os poemas, me levará à falência em breve.)

Irene Pinheiro disse...

Eu não desisti da plenitude... Ah não!

Quem sabe um dia o sol também me baste.

Bjs, fica bem.

 
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