quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Era de Capricórnio

Percebo as coisas subentendidas, pelo menos em minha cabeça paranóica esta é a impressão predominante. No mundo globalizado onde a tecnologia permite conversas instantâneas não importa a que distância estejamos, me reservo a não-comunicação. Apenas ao subliminar das relações humanas. Remeto-me aos períodos anteriores à invenção da luz e todo resto que hoje rotulamos essencial, para época em que ordenhar vacas era ato heróico e digno de admiração, onde o escuro do céu tinha um valor ao ser colorido pelo sol nascente.

Sou um homem fora de meu tempo, você deve estar pensando. Creio que sim. Gosto do antigo, daquilo que outras pessoas já viveram. Consigo comprar tudo que curto em antiquários e sebos, 90% das pessoas que gosto de escutar cantando, morreram; os 10% sobreviventes não se sentem muito bem, como eu.

Saudosista de uma época que não vivi.

DES ABAFO


Hoje é 03 de abril. HOJE SÃO três de abril. Tanto faz. Tanto faz? É, não sabia? Que eu saiba não! Mas tanto faz, porra! Tanto faz nada! Então tá. Ficou bravo? Não fiquei, só que tanto faz. Se tanto faz, por que ficar tão bravo? Pela correção desnecessária. Se é desnecessária por que a raiva? …. Vamos sair hoje? Não sei, você quer? Quero. Pra onde quer ir? Tanto faz. Ai caralho! Qualquer lugar pra mim tá bom. Qualquer lugar? É, tanto faz! Vamos ao cinema. Ah não, cinema não! Teatro? Ah, não. Caralho, então porque você disse que tanto faz o lugar que vamos? Porque tanto faz, desde que não seja o cinema e o teatro. Então você escolhe. Ok, eu escolho.

É aí que você vai para num restaurante japonês caríssimo e morre em R$ 200,00.

E assim, aprenda...


Falam dos homens que mentem, a verdade. Por que mentes?, dizem em coro. Ah, que vergonha nós temos dos mentirosos. Mentir é feio, meu filho. A mãe nunca mentiu. Para onde vão as pessoas quando morrem? Ao céu, dizem. Ficam sentadas à direita de deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra. Quantos lugares temos ao céu? O maracanã é lotado. O Céu é maracanã. Todos com lugares direitos, com um deus à esquerda que bisbilhota a vida dos homens. É sim, e nossa senhora deu a luz ao menino Jesus, virgem, sabia? Foi aí que começou o pecado e todo o resto? Não houve pecado alí, pureza. O pecado nasce com Eva, a mulher de Adão, homem sem umbigo. O que comeu a maçã? Isso, a cobra, o diabo, e por isso estamos aqui. Na merda? Não, no mundo.

E tudo começa a fazer sentido.

domingo, 22 de novembro de 2009

então...

Findo o dia.
Findo o livro.
Finda a música.
Finda a cerveja.
Findo o cigarro.
Alguém desliga o silêncio?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Bom Tempo.



Limpei a casa, esbarrei na estante e,
caiu-me o retrato em pedaços.
Cacos catados e arrumados,
no lugar de antes, um espaço

quinta-feira, 2 de julho de 2009

P&B

Rafael queria ver o mundo e saiu de casa, mas lá fora só havia um contraste de cores por demais vivas, um mundo em photoshop, tudo estava em techincolor. Consumidores alegres com suas vidas em praça de alimentações exibiam a felicidade dos cartões de crédito. A alegria fugaz possibilitada pelo conceito senso comum de ser.

Sem nada pra fazer na perfeição de um virtualismo imperativo, se resumiu a andar para o mais longe que poderia, rumo ao final da rua. Chegando lá, outra rua, e outra e mais outra, onde os passos não davam conta de finalizar o labirinto arquitetado em forma de prisão vasta e liberdade falsa. Ele queria ver o fim disso tudo, por isso andava desesperadamente, quase correndo. Tudo que lhe era possibilitado ver, já conhecia, as cores vibrantes e os consumidores alegres, as ruas sem fim, que davam em outras ruas, sem fim, e assim sucessivamente numa repetição monótona rumo ao horizonte que já não se via.

O mundo era redondo, mas se dissessem que chato e quadrado era realidade, não faria diferença, queria chegar lá, no outro lado, no fim do sonho. Por isso o andar.

Os caminhos terminavam em outros, que embocavam em outro, apenas revelando cenários conhecidos e uma possibilidade sem fim de jamais se surpreendido pela criatividade zero. O mundo era raso como os personagens dos melodramas.

Quando o sol já se punha e as pernas diminuíam o ritmo da busca, acreditou que haveria um ponto de virada. Mas não, luzes acendiam sem que se percebesse, e o mundo agora, iluminado, revelava contrastes ainda mais artificiais que os que outrora via.

Foi assim, sem mais nem menos, que deu de cara com uma rua sem saída, e se deparou com a finitude e a grade da prisão. Não havia nada além.

Derrotado, lentamente, voltava de onde tinha vindo. Com a cabeça baixa e o pensar quase inexistente, cultivava a aflição de um peixe dourado em um aquário minúsculo, cuja única função é existir parcamente para satisfazer o espetáculo inverossímil de algum imbecil.

Em casa, mais tarde, cansado pela inútil tentativa, deixava a água gelada lavar suas tristezas na esperança que o ralo comesse sua existência, queria desmanchar no relaxar mais profundo e ser derretido pela fusão com líquido que escorria de seu corpo até se confundir nas impurezas do esgoto da cidade. Isso não ocorreu.

Fatigado por sua humanidade e sentindo o peso das âncoras atadas aos pés, deixava-se afundar no infinito da imutabilidade, onde apenas era permitido um imergir sem jamais bater ao fundo.

Engolido pelos lençóis brancos de uma cama confortável, Rafael agora nem ousava pensar, apenas esperava que o sono arremessasse suas pálpebras de um peso insuportável, para que assim, amanhã, tomado de previsibilidade, pudesse vagar pelo mundo em busca de algo que não existia.

A noite progredia lentamente, lá fora, o mundo estava do mesmo de jeito que ontem e amanhã, e aos poucos de sua imersão na desesperança, tudo que podia esperar era um sono que veio.

Naquela noite, Rafael sonhou em preto e branco.

domingo, 5 de agosto de 2007

E se você fosse um bicho, que bicho você seria, meu bem?

O que é esse sentimento? Essa dor vazia no estômago que irradia para todo o corpo e me tira os ares dos pulmões. Não tem nada a ver, o sonrisal não é capaz de resolver todas as mazelas do mundo, nem eu, por isso a dor. Hoje é dia de tirar a poeira dos livros, tentar ler aqueles que já comecei e não consegui terminar, por que paramos de lê-los? Existe algo em mim que os faz enfadonhos, ou seria o autor? Nada de mais nisso, sempre culpa do academicismo das humanas e seus quilos de literatura por semestre. Como ler outra coisa?

Pois bem, nunca gostei muito das arrumações, se eu fosse um bicho seria um caracol, levaria comigo a casa sem arrumá-la. Direi isso na próxima dinâmica de grupo que enfrentar, já desisti de tentar encantar as psicólogas e suas suposições imbecis. Refuto! Pensei em animais longe do senso comum, como o krill.


Isso, serei um Krill albino do mar do norte. E por que você seria um Krill albino do mar do norte? Perguntaria o olhar burro inquisidor (pleonasmo).

Gosto do krill (peço socorro tentando absurdamente encontrar poesia no Krill, poesia no Krill, KRILL POÉTICO)....porque ele é um animal que ninguém se lembra que existe, e, por conseguinte, não é incomodado por perguntas estúpidas e suposições baratas, ah que inveja do krill. E sabe do que mais? O único medo dele é a baleia Azul, é, eu assisto Discovery.

Sim, meu inglês é fluente.

Esse é o típico momento em que o transtorno obsessivo aflora. Coloque os olhos dos sebastianistas a ver navios esperando a volta do rei morto na batalha de Alcácer-Quibir na cara de uma vaca hindu, transporte-os para sala da dinâmica de grupo, espere alguns momentos, dentro de segundos aparecerá uma voz, quase um eco de seus pensamentos - levanta e enfia a porrada nessa broaca – se nada acontece é sinal que seu transtorno obsessivo compulsivo, o TOC, na verdade, está dentro da normalidade, assim como o meu. Apenas restará a certeza de que o Krill não agradou.

O Aprovado escolheu águia, ou seja, brega e senso comum. Como odeio águia e prefiro o Krill, meu lugar é no mar do norte.

 
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